Parâmetros para Práticas Educativas Transdisciplinares 1

Olá Professor!

Em junho deste ano apresentei um trabalho sobre Transdisciplinaridade no “IV Forum Internacional Innovación y Creatividad sobre Adversidad  y Escuelas Creativas”, na Universidade de Barcelona. Me pareceu oportuno fazer uma crítica ao excesso de teoria relacionada ao tema. Raras são as práticas educativas que realmente efetivam uma ação pedagógica transdisciplinar.

Por quê? Seria essa dificuldade, de colocar a transdisciplinaridade em prática, derivada da própria formação fragmentada que tivemos?

Estando toda a educação moderna voltada para conteúdos externos e valores impostos, as pessoas se tornam cada vez mais vazias, mesmo repletas de conteúdos disciplinares fragmentados e fragmentadores do pensar, do sentir e do agir.

A Transdisciplinaridade traz uma visão mais complexa das ciências, da educação e dos problemas contemporâneos propondo novos modos de pesquisa e ação sobre a realidade mais integradores.

A perspectiva holística da realidade é representada pela ideia de uma consciência transdiciplinar. Presente em todos os setores do conhecimento, ela diz respeito ao conjunto de saberes particulares, visando o entendimento acerca dos mecanismos de funcionamentos humano e físico. Nesse sentido, a compreensão do real, sob a ótica holística, somente alcança uma definição, ainda que provisória, a partir da análise das inter-relações com outros elementos, e não pelo método cartesiano, que “analisa o mundo em partes e organiza essas partes de acordo com leis causais”. (CAPRA, 1999, p. 80)

A Transdisciplinaridade, portanto, ao questionar o excesso de fragmentação do saber e a pouca visão do todo que temos na chamada “sociedade do conhecimento” tem uma importante responsabilidade associada à educação.

O movimento transdisciplinar possui uma grande fluidez em relação às teorias que abarca bem como em suas manifestações práticas, principalmente no que diz respeito à educação. Temos um vasto repertório de teóricos, de diferentes áreas do conhecimento, que se aventuram pelos terrenos incertos da Transdisciplinaridade. Cada um utiliza-se da abertura intrínseca que a própria Transdisciplinaridade prega e contribui, a seu modo. Porém, mesmo partindo de um certo arcabouço comum em termos teóricos, as pesquisas acadêmicas que lidam com esse tema são muito diversas, fluidas e, às vezes, contraditórias e frágeis demais.

Por exemplo, uma determinada prática pedagógica pode ser analisada e classificada como sendo interdisciplinar, por alguns, transdisciplinar, por outros e multidisciplinar por mais alguns. Também não há consenso sobre quais seriam os critérios que caracterizam uma prática transdisciplinar em educação.

O “como”, a prática efetiva de uma educação transdisciplinar, permanece ainda iminente, com poucas exceções de exemplos sólidos, concretos, sistematizados, efetivos e afetivos, institucionalizados. A Trandisciplinaridade geralmente ocorre somente de forma intencional nos discursos das instituições de ensino. Poucas instituições formais ou não formais possuem uma real prática educativa transdisciplinar implantada de onde já se pode colher frutos maduros.

Há conteúdos não disciplinares necessários à educação transdisciplinar visando a formação de indivíduos mais íntegros e felizes? Que conteúdos são esses e como trabalhá-los na escola?

A Transdisciplinaridade manifesta-se portanto como uma teoria que, na prática educativa real, é ainda bastante volátil por carecer de referenciais e critérios claros de aplicação, ainda que abertos e flexíveis. Contudo, é preciso trazer à prática educativa tal ideia. “É preciso viver a vida que se pretende mudar.” (FEYERABEND, 1991, p. 355)

Proponho, portanto, categorias de aplicação da Educação Transdisciplinar, que poderão apontar dicas para práticas educativas reais. São elas:

As categorias de análise-síntese propostas são:

  1. Aprender a respeitar e cuidar do Corpo
  2. Aprender a exercer a Cidadania Planetária
    1. Conviver na Diversidade (dos Meios Sociais e dos Ambientes Naturais)
    2. Atuar com responsabilidade Socioambiental
    3. Amar o Ser Humano e a Natureza: Ética Planetária
  3. Desenvolver o Ser Criativo
  4. Aprender a Aprender, a Aperfeiçoar-se, interligando saberes
  5. Aprender a Transcender, a lidar com a intuição e o não-racional

Em “Atividades Transdisciplinares” deste mês, discuto no texto “Perguntas-guia para Atividades Transdisciplinares 1“, dicas de como aplicar os dois primeiros itens da lista acima (e os 3 sub-itens). Os outros itens irei discutir no próximo mês.

Em “Multimídia”, recomendo muitíssimo um longa-metragem intitulado “Educación Prohibida“.

Em “Linkoteca”, também recomendo links interessantes sobre “Transdisciplinaridade, Corpo e Cidadania Planetária“.

Peço que os professores que desejarem, enviem seus exemplos de práticas educativas transdisciplinares, que terei imenso prazer em divulgá-las!

Um grande abraço!

Profa. Patricia Limaverde

2 comentários em “Parâmetros para Práticas Educativas Transdisciplinares 1

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