Perguntas-guia para Atividades Transdisciplinares 1

A seguir, discuto algumas perguntas-guia para a realização de atividades transdisciplinares na sala de aula:

1.1.  Aprender a respeitar e cuidar do Corpo

Precisamos evitar que o corpo seja deixado de lado, pois junto ao crescimento exponencial da tecnologia, cresce também a apatia, o sedentarismo, doenças de empatia como a depressão e a ansiedade. O corpo nunca foi tão negligenciado por uma sociedade. A “cultura do corpo” tão difundida nas academias de ginástica e na mídia é, na verdade, a cultura do não-corpo, da não aceitação de seu corpo e suas habilidades naturais, da não escuta aos seus anseios e necessidades.

A aceleração da vida moderna nos faz adormecer o corpo. Não há tempo nem lugar para sentir cansaço, poluição, desconforto, fome. A falta de atenção ao corpo favorece o aparecimento de doenças e o bem-estar fica cada vez mais distante do cotidiano das pessoas. Qualidade de vida confundiu-se com perda do bem-estar em função do trabalho e da rotina corrida. É necessário reestabelecer a harmonia entre o corpo e as outras dimensões o humano.

Nesse sentido, que perguntas-guia podem nortear uma prática educativa transdisciplinar?

Qual a atenção que o professor dá ao corpo?

Ao seu próprio corpo?

Que atividades realiza com o objetivo de favorecer o contato do aluno com seu próprio corpo?

Há aulas de saúde, bem-estar?

Estudam conteúdos relacionados ao corpo e sua saúde?

Há conteúdos que envolvem movimento ou alimentação saudável?

Há atividades de escuta do corpo, suas necessidades?

 

1.2.  Aprender a exercer a Cidadania Planetária

1.2.1.     Conviver na Diversidade (dos Meios Sociais e dos Ambientes Naturais)

O modo de operar do pensamento cartesiano possui a tendência à homogeneidade e generalização. Após séculos operando desta maneira, a sociedade ocidental já globalizada enfrenta o grande desafio de aprender a conviver com o diverso, o que foge de suas próprias referencia, o que não é generalizável nem se pode homogeneizar.

A multiculturalidade, a multirrefencialidade e a multidimensionalidade passam a ser cada vez mais percebidas. Culturas e indivíduos que enfrentam a globalização com sua pasteurização cultural tentam encontrar cada vez mais espaço de resistência.

Reaprender as tradições locais e sua sabedoria é o primeiro passo para entender as outras tradições e suas particularidades. “Não existe um lugar cultural privilegiado de onde se possam julgar as outras culturas. A abordagem transdisciplinar é ela própria transcultural.” (CARTA DA TRANSDISCIPLINARIDADE apud NICOLESCU, 1999, p. 162)

Desenvolver o senso de diplomacia e a capacidade de estabelecer um diálogo genuíno transcultural é uma grande necessidade nos dias de hoje. Engrandece as tradições em vez de empobrecer, como o que ocorre com a globalização.

Conviver na diversidade não se dá somente entre os seres humanos. Precisamos aprender a conviver na diversidade dos ambientes naturais.

Nesse sentido, que perguntas-guia podem nortear uma prática educativa?

Como oportunizar cenários propícios para o desenvolvimento das habilidades de diplomacia e convívio com o diferente?

As atividades desenvolvidas no ambiente educativo são propostas ao aluno individualmente ou ao grupo de alunos?

Os alunos necessitam trabalhar em grupo conjuntamente para a realização das atividades?

Os alunos precisam argumentar, defender seus pontos de vista e, ao mesmo tempo, tentar entender os pontos de vista diferentes dos seus?

De que forma o professor facilita esses processos?

 

1.2.2.     Atuar com responsabilidade Socioambiental

Um dos grandes aspectos de uma verdadeira Cidadania Planetária é exercer a responsabilidade de transformação social que possuímos.

Reconhecer essa responsabilidade e atuar de forma a promover uma real transformação socioambiental é exercer uma atitude transdisciplinar coerente.

Neste momento de crise, movimentos atuantes devem conquistar cada vez mais espaço, em diferentes dimensões de ação, indo através de redes sociais, protestos criativos nas ruas, atuação individual em contextos familiares e de trabalho, nas escolas.

Como desenvolver esses objetivos em uma prática educativa transdisciplinar?

O professor está atento às emergências socioambientais em escala local e global?

Possui uma visão crítica, mas aberta, da problemática? Entende o problema socioambiental sob diferentes pontos de vista?

Traz essas problemáticas para a sala de aula e exercita com os alunos a busca de alternativas a esses problemas?

Inclui manifestações políticas e criativas em suas aulas, envolvendo os alunos?

Leva os alunos para conhecer a comunidade local onde vivem a fim de se inteirarem sobre os problemas socioambientais encontrados localmente?

Auxilia os alunos a se articularem de forma a manifestarem suas opiniões, exigindo e propondo transformações necessárias?

Integra essas atividades aos conteúdos disciplinares?

 

1.2.3.     Amar o Ser Humano e a Natureza: Ética Planetária

A origem de toda ação de transformação, desde que seja em prol do bem comum, é o amor. O amor é o sentimento que une cada ser humano a outro e à Natureza. É a substância da teia de relações da vida, que dá energia e certa concretude às interações, perceptíveis ou não.

Transformar e exercer a Cidadania Planetária só acontece a partir do sentimento de amor. Um amor transformador que atravessa fronteiras culturais e atua compassivamente. Reconhecer esse sentimento e deixar que ele se manifeste em suas ações é um aprendizado de abertura e desapego. Desse amor, dessa compaixão, a verdadeira solidariedade floresce.

A ética transdisciplinar recusa toda atitude que se negue ao diálogo e à discussão, qualquer que seja sua origem – de ordem ideológica, cientificista, religiosa, econômica, política, filosófica. O saber compartilhado deveria levar a uma compreensão compartilhada, baseada no respeito absoluto das alteridades unidas pela vida comum numa única e mesma Terra. (CARTA DA TRANSDISCIPLINARIDADE apud NICOLESCU, 1999, p. 162)

Como verificar o trabalho com a Ética Planetária no cotidiano de uma prática educativa transdisciplinar?

Há momentos de contemplação da natureza?

O professor está atento ao trabalho em grupo de forma a facilitar processos que possibilitem ao aluno compreender pontos de vista diferentes do seu?

O professor disponibiliza tempo e cenários apropriados para o estado meditativo e reflexivo?

O professor traz para a sala o tema do amor e do respeito, explorando-os através das artes e da reflexão?

 

No próximo mês discutiremos as perguntas-guia para práticas educativas transdisciplinares relacionadas aos seguintes temas:

  1. Desenvolver o Ser Criativo
  2. Aprender a Aprender, a Aperfeiçoar-se, interligando saberes
  3. Aprender a Transcender, a lidar com a intuição e o não-racional

Professor, compartilhe suas ideias também! Terei prazer em divulgá-las!

Um abraço!

Profa. Patricia Limaverde

Teia Curricular: o cuidado com o Indivíduo, com o Meio Social e com o Meio Natural

(NASCIMENTO, Patricia Limaverde.  Da grade à teia curricular: por um conhecimento transdisciplinar. In: Maria Cândida Moraes e Saturnino de la Torre. (Org.). Transdisciplinaridade e Eco-formação: um novo olhar sobre educação. São Paulo: Triom, 2008)

O seguinte currículo transdisciplinar é aplicado na Escola Vila (www.escolavila.com.br) e tem a pretensão de extrapolar o arcaico conceito de “Grade Curricular” e propõe a ideia de “Teia Curricular” composta de três mapas conceituais: a teia da relação do indivíduo com ele mesmo, a teia da relação do indivíduo com o meio social e a teia da relação do indivíduo com o meio ambiente, perfazendo .

A seguir, ilustramos a Teia Curricular como um todo assim como as teias menores com suas temáticas.

fonte: NASCIMENTO, Patricia Limaverde.  Da grade à teia curricular: por um conhecimento transdisciplinar. In: Maria Cândida Moraes e Saturnino de la Torre. (Org.). Transdisciplinaridade e Eco-formação: um novo olhar sobre educação. São Paulo: Triom, 2008

Para trabalhar o Cuidado e a Convivência consigo mesmo a Escola VILA propõe:

1-    Buscar desenvolver a sensibilidade para consigo e nas relações que produz. No sistema de avaliação da VILA, a auto-avaliação é presente em todos os processos, bem como a avaliação do grupo e a do professor. O desenvolvimento do hábito da auto-avaliação não se restringe somente a processos de aprendizagem de conteúdos formais, mas abrange aspectos de sua ação sobre o grupo da qual faz parte.

2-    Buscar desenvolver a intuição, a espiritualidade (desvinculada de qualquer formação religiosa) e o auto-conhecimento, através da auto-avaliação e dos exercícios de meditação presentes no currículo da Escola.

Reconhecer a importância da prática de exercícios e da boa alimentação para a manutenção da saúde do corpo e da mente. A alimentação dos alunos é fornecida pela própria Escola e tem como base um Programa de Alimentação Natural, onde o cardápio elaborado por uma nutricionista procura oferecer alimentos que não possuem corantes, conservantes ou outro tipo de aditivo químico típico de alimentos industrializados. Na Escola não são consumidos refrigerantes, sucos pré-preparados, frituras, bombons, chicletes ou balas. O objetivo é fornecer uma variedade de alimentos ditos naturais que normalmente o aluno não teria contato no cotidiano de fora da escola. (NASCIMENTO, 2006)

Para trabalhar o Cuidado e a Convivência com a Natureza a Escola VILA propõe:

1-   Resgatar o contato e a vivência direta com os elementos da Natureza

  1. facilitando vivências sensoriais em espaços como horta e pomar orgânicos, jardins, farmácia viva e viveiros de animais. Os conteúdos ditos formais são trabalhados em atividades práticas nesses espaços, sempre contextualizados.
  2. buscando reconhecer a partir dessa vivência a força vital, a beleza implícita (e a explícita) e as interligações entre todos os elementos da Natureza. A estética é trabalhada não apenas nas aulas diárias de artes (artes plásticas, artesanato, música, teatro e aula de corpo), mas também na composição de todos os ambientes da Escola, organizados pelos próprios alunos.

2-   Encontrar alternativas para o consumismo exagerado que tem como conseqüências a degradação dos recursos naturais e a poluição

  1. exercitando a criatividade na confecção artesanal de bens de consumo. Semanalmente os alunos possuem uma aula de artesanato com professor específico e aprendem a produzir produtos em madeira, couro, crochê, costura, bordado, macramê, papel maché, etc.
  2. valorizando os produtos artesanais, a reutilização de embalagens, a reciclagem de papel e outros materiais e a utilização econômica da água. Todas as famílias dos alunos levam para a Escola seu “lixo” reciclável. A VILA seleciona alguns para atividades internas de confecção de brinquedos, jogos, papel reciclado e utensílios e o restante doa para associações de bairro e catadores de lixo.
  3. consumindo produtos de empresas “ecologicamente corretas” e produtos orgânicos. Todos os fornecedores da Escola VILA são escolhidos levando em conta essas considerações.

3-   Encontrar soluções para a poluição do ar, das águas, do solo, bem como para a poluição dos alimentos e as poluições visual, sonora e de informações

  1. pesquisando tecnologias alternativas para geração de energia ecologicamente sustentáveis. Há um laboratório chamado “Tecnologias Alternativas” onde os alunos aprendem a construir equipamentos que visam a auto-sustentabilidade ecológica, como: forno solar, mecanismos de irrigação do solo, aquecedor de água solar, forno de alvenaria, biodigestores, compostagem, etc.
  2. exigindo o cumprimento de leis que visam a proteção do meio ambiente. A Escola trabalha a atuação social de forma bastante incisiva. Ao término de cada projeto, há uma culminância que envolve toda a comunidade, onde sempre estão presentes vereadores, deputados estaduais e federais, prefeito ou candidatos a governadores (nas épocas de eleição). Os alunos elaboram projetos, enviam a entidades públicas como ministérios, gabinete da presidência, governadores e prefeitos. Fazem campanhas, passeatas, abaixo-assinados envolvendo questões ecológicas e sociais também.
  3. não consumindo produtos poluentes. A Escola busca promover a conscientização não só dos alunos, mas de suas famílias, através de encontros mensais onde são discutidos temas que envolvem inclusive a discussão sobre atos de pequeno, médio ou alto graus de esforço para ajudarmos na conservação do meio ambiente. Procurar escolher melhor os produtos que vamos comprar nos supermercados é um ato de pequeno esforço que a família pode fazer.

Para trabalhar o Cuidado e a Convivência no Meio Social a Escola VILA propõe:

1-   Vivenciar a cooperação, a cidadania e os valores humanos, buscando a compreensão de que somos autores e atores da nossa própria realidade. Os alunos da VILA são incitados a refletir de forma crítica questões sociais de pequena, média ou de grande abrangência, dependendo da idade desses alunos. Todos os projetos desenvolvidos na Escola têm um caráter de transformação social, visando estabelecer a atitude de autor-cidadão, de protagonista do seu próprio caminhar e na construção de sua realidade comum com outros seres humanos.

2-   Aprender na relação com o outro

  1. a perceber suas limitações para superá-las e assim poder transformar a si mesmo e suas relações sociais através de constantes auto-avaliações e avaliações grupais. O sistema de avaliação da Escola desde sempre apresentou aspectos inovadores ao incluir a auto-avaliação e a avaliação grupal na composição da nota final. O grupo todo avalia cada um de seus componentes em relação a aspectos relativos às condutas sociais. O feed-back do grupo é de extrema importância para o desenvolvimento da noção de auto-regulação por parte do indivíduo.

a valorizar a convivência com a diversidade humana através da inclusão de alunos portadores de necessidades especiais em todas as turmas. Nas turmas da VILA há alunos com necessidades físicas especiais, bem como alunos com diferentes diagnósticos clínicos, como Paralisia Cerebral, Autismo, Síndrome de Down, dentre outros. Como todas as atividades são realizadas em grupos, os alunos têm a oportunidade de trabalhar diretamente com esses alunos ditos “especiais”. Ao se trabalhar em grupo para a execução de qualquer atividade, estamos propondo o desafio da convivência com as diferenças e o desenvolvimento da cooperação em detrimento da mera competição individual.

Atividades Transdisciplinares de Economia Solidária

Algumas atividades com a temática da Economia Solidária são particularmente interessantes para um trabalho com projetos envolvendo além de diferentes disciplinas, a comunidade escolar como um todo.

São elas:

1- Feira de Trocas de Bens Usados: onde os alunos poderão trocar entre si itens que eles possuem mas não utilizam mais. Esses itens devem estar em perfeitas condições. Pode-se utilizar lastro (quando cada participante ganha moedas de troca ao depositar os bens que trouxer para a feira) ou trocar diretamente item por item.

2- Feira de produtos feitos artesanalmente: Onde os alunos podem fazer artesanatos, comidas, objetos artísticos, e trocarem entre si. Os objetos devem ser feitos reaproveitando o máximo de recursos, com a finalidade de reutilizar e reciclar.

3- Organização da escola para fazer uma feira de produtos orgânicos de hortas da comunidade.

4- Consertar roupas e brinquedos. Os alunos trazem de casa uma roupa ou um brinquedo que queira consertar e todos vão ajudar nesse processo. O professor e os alunos podem estudar caso a caso, qual e melhor forma de consertar os itens trazidos. Uma boneca, por exemplo, pode recuperar uma perna perdida a partir de outra boneca doada, ou a partir de objetos reciclados, etc…

5- É possível envolver a turma ou a escola como um todo para fazer eventos solidários, onde as pessoas contribuem com alguma quantia e o montante final seria utilizado para alguma benfeitoria na escola ou na comunidade.

Essas e outras ideias devem ser implantadas com a cooperação entre as diferentes disciplinas e professores. Os alunos irão aprender de uma forma significativa a aplicação de diferentes conteúdos, além de exercitar a prática da economia solidária!

Mãos à obra! Peço que compartilhem suas experiências aqui nesse espaço e com seus colegas de trabalho!

Visite nossa sessão multimídia, no artigo “Vídeos sobre Economia Solidária” e veja quais são os fundamentos dessa nova forma de pensar-agir economia, bem como exemplos práticos de aplicações.

Na Linkoteca, você vai encontrar o artigo “Links sobre Economia Solidária”, onde indico links úteis sobre o tema.

Um grande abraço!

Profa. Patricia Limaverde Nascimento

O compromisso social da escola transdisciplinar

A escola, como instituição, atende á necessidade de formatação dos seres humanos para se adequarem à sociedade como ela se apresenta. A partir do momento em que, pela reflexão e observação sensível, nos damos conta de que esse é o real papel da escola, podemos então transformá-la com a finalidade de formarmos seres humanos com habilidades distintas às que somos submetidos atualmente pela educação formal escolar. Habilidades essas que atenderão á emergente necessidade de construção ativa de um novo tipo de sociedade: mais humana, criativa, que saiba conviver e valorizar a própria diversidade, que saiba interagir com o ambiente natural de maneira mais responsável e sustentável.

Como, então, podemos refazer a escola?

Podemos, através de práticas educativas conscientes e criativas tentar fazer com que a educação revele as habilidades de cada ser humano em vez de moldá-los a padrões impostos pela sociedade. O mundo do mercado, por exemplo, já está solicitando um novo perfil de trabalhadores: criativos, comunicativos, que saibam trabalhar em equipe, que saibam cooperar.

Para tanto, temos alguns grandes desafios:

O desafio de retomar o corpo como totalidade do ser que somos, de construir esse corpo total, integral, um corpo que aprende, ensina, sente, expressa-se, reclama e toma atitudes. Esse é um dos principais desafios de uma escola que se propõe a ser um ambiente sadio para o desenvolvimento de pessoas mais felizes e conhecedoras de si. Devemos encontrar e legitimar o lugar do corpo na educação.

Temos também o desafio da convivência e da transformação social cooperativa. Aprender a andar juntos é muito mais difícil do que competir. É muito mais complexo aprender a cooperar do que aprender a competir, exige muito mais das pessoas. Exige esforço, paciência, abertura, tolerância e acima de tudo, exige o foco na construção de um bem comum, ao contrário da competição que visa o reforço do individualismo.

Muito trabalho há que se fazer para podermos efetivar transformações necessárias na educação e, consequentemente, na sociedade. As escolas, agora, precisam desaprender o que fazem para abrirem-se a uma nova forma de fazer educação. Além de teorias, precisamos de muita reflexão, sensibilidade, intuição e, acima de tudo, cooperação e criatividade para por tudo em prática!

Se conseguirmos observar a nossa sociedade atual de uma forma crítica e sensível, se conseguirmos observar sensivelmente os seres humanos que compõem essa sociedade, saberemos, ou sentiremos, que pontos devem ser transformados. E se pudermos intuir que caminhos trilhar para que as novas gerações possam vir a formar uma sociedade diferente, começaremos a fazer, enquanto educadores, mães, pais, professores, a mudança em nosso cotidiano, em nossa prática educativa.

Caro educador, estamos passando por um momento histórico de grandes transformações. E você é agente histórico! Trabalhemos por uma educação libertadora!

Um grande abraço!

Profa. Patricia Limaverde

Referências:

NASCIMENTO, P. L. . Escola VILA, educação transdisciplinar e transformação social. In: II CONGRESO INTERNACIONAL DE INSTITUCIONES EDUCATIVAS: Maestros Transformando desde las Aulas, 2011, Arequipa – Peru. II CONGRESO INTERNACIONAL DE INSTITUCIONES EDUCATIVAS: Maestros Transformando desde las Aulas, 2011.

Atividade: Como trabalhar o Código Florestal

Esse tema deve ser trabalhado contando com pesquisas e discussões, em grupo, sobre a questão.

Há várias dicas de fonte de pesquisa na nossa linkoteca e na sessão multimídia com vídeos sobre o assunto. Aproveite com seus alunos!

Os grupos podem pesquisar sobre diferentes pontos, de áreas do conhecimento distintas, como:

1- O que é e como funciona a biodiversidade em um ecossistema

2- Qual a diferença entre agricultura familiar e agricultura extensiva, e o por que de o Brasil optar pelo modelo mais degradante, favorecendo ainda mais a exclusão social. (Veja com os alunos o vídeo “De onde vem a força do agronegócio”, da WWF, no nosso acervo multimídia)

3- Quais as riquezas da Floresta Amazônica

4- Qual o impacto da pecuária e da agricultura extensiva na natureza e para a população em geral ( Veja o vídeo “A Carne é Fraca”, do Instituto Nina Rosa)

Após as pesquisas realizadas a partir desses temas e de outros que vão surgir, podemos realizar uma discussão a fim de promover uma rica troca de saberes.

Depois, é necessário mobilizar os alunos a atuarem de forma política, através de manifestações, abaixo-assinados, passeatas.

Ajude os alunos a organizar uma manifestação desse tipo.

Para eles é muito importante ter meios para o desenvolvimento do senso de responsabilidade para com os interesses da comunidade e do país!

Contribua, professor, nós fazemos o futuro trabalhando de forma consciente com nossos alunos, no presente!

Grande abraço!

Profa. Patricia Limaverde

Sugestões de Atividades sobre o Pensamento Complexo

Operadores cognitivos do pensamento complexo

Sugestões de Vivências, Histórias e Vídeos

 

dançaVivências:

1- Movimento criativo

Em pares, uma pessoa inicia um movimento por poucos segundos e para. A segunda pessoa continua o movimento iniciado pela primeira, complementando por alguns segundos com outros movimentos. Ao parar, a primeira pessoa continua, alternando repetidas vezes.

Sugestões de música: valsas, músicas alegres e leves.

Debate sobre as seguintes questões:

-       Quem criou o movimento? Ele é previsível?

-       O movimento do outro influenciou seu próprio movimento?

-       Houve complementaridade? A construção foi realizada em parceria, mesmo que somente uma pessoa dançava por vez?

-       A percepção dos movimentos do outro influenciou a sua criação?

-       Vocês imaginavam que a dança seria como ela foi realmente?

-       Vocês tiveram que fazer adaptações às ideias prévias que tiveram?

 

poesia2- Poesia coletiva

Em grupos de 5, cada um escreve uma frase num papel e passa o papel à pessoa da sua direita. Você lê a frase escrita pelo seu colega e escreve uma outra frase complementando como se fosse uma poesia. Após duas rodadas, teremos 5 poesias de 10 frases cada uma.

Debate sobre as seguintes questões:

-       Quando você iniciou sua poesia você pensava que ela iria se desenrolar como aconteceu?

-       O que você leu influenciou a criação das suas frases?

-       As poesias tiveram um desenrolar coerente?

-       Uma frase influenciou a outra? Uma poesia influenciou a outra?

 

3- Sujeito-objeto

Em grupos de 5 a 10 pessoas, com os olhos vendados ou fechados, cada pessoa recebe um elemento da natureza para conhece-lo através dos sentidos (sem ver). Em cada grupo há elementos similares, com pequenas diferenças estruturais, por exemplo: duas penas do mesmo tamanho, duas pedras, duas conchas, duas folhas, duas frutas, duas flores.

Após a experimentação de seus elementos, os monitores recolhem os objetos e colocam esses objetos no centro do grupo, de forma aleatória.

As pessoas abrem os olhos e tentam reconhecer dentre os objetos que estão dispostos ao centro do grupo, qual deles foi “conhecido” pelos seus sentidos.

Debate sobre as questões:

-       Os diferentes sentidos conhecem o mundo de diferentes formas?

-       A realidade é apreendida de forma sensorial.

-       Quem aprende: a mente ou o corpo?

 

 

Histórias para serem contadas:

discipulo1- Xícara de Chá (Mudança de paradigmas)

Um professor de filosofia foi ter com um mestre zen, Nan-In, e fez-lhe perguntas sobre Deus, o nirvana, meditação e muitas outras coisas. O Mestre ouviu-o em silêncio e depois disse:

- Pareces cansado. Escalaste esta alta montanha, vieste de um lugar longíquo. Deixa-me primeiro servir-te uma xícara de chá.

O Mestre fez o chá. Fervilhando de perguntas, o professor esperou. Quando o Mestre serviu o chá encheu a xícara do seu visitante e continuou a enche-la. A xícara transbordou e o chá começou a cair do pires até que o seu visitante gritou:

- Pára! Não vês que o pires está cheio?

- É exatamente assim que te encontras. A tua mente está tão cheia de perguntas que mesmo que eu responda não tens nenhum espaço para a resposta. Sai, esvazia a chávena e depois volta.

 

karate2- O jovem carateca (Não-linearidade)

Um jovem atravessou o Japão em busca da escola de um famoso praticante de artes marciais. Chegando ao dojo, foi recebido em audiência pelo Sensei.

- O que você quer de mim? – perguntou-lhe o mestre.

- Quero ser seu aluno e tornar-me o melhor karateca do país. Quanto tempo preciso estudar ?

- Dez anos, pelo menos.

- Dez anos é muito tempo respondeu o rapaz. E se eu praticasse com o dobro da intensidade dos outros alunos ?

- Vinte anos.

- Vinte anos!  E se eu praticar noite e dia, dedicando todo o meu esforço ?

- Trinta anos.

- Mas, eu lhe digo que vou dedicar-me em dobro, e o senhor me responde que a duração será maior ?

- A resposta é simples. Quando um olho está fixo aonde se quer chegar, só resta um para se encontrar o caminho.

 

3- Sujeito-objeto

Certo dia um rei chamou ao seu palácio o mestre zen Muhak – que viveu de 1317 a 1405 – e lhe disse que, para afastar o cansaço e a tensão do trabalho administrativo, queria ter uma conversa completamente informal com ele. Em seguida, o rei comentou que Muhak parecia um grande porco faminto procurando comida.

- E você, excelência parece o Buda Sakiamuni meditando, sobre um pico elevado dos Himalaias.

O rei ficou surpreso com a resposta de Muhak.

- Comparei você a um porco, e você me compara ao Buda?

- É que um porco só pode ver porco, excelência, e um Buda só pode ver Buda.

 

4- Sujeito-objeto 2

Um grande Mestre Zen fala ao discípulo:

Quando vejo um gato, neste momento somos 4: eu, o gato, o gato em mim, e eu no gato.

 

Aproveitem as sugestões e façam comentários!

Um grande abraço!

Profa. Patricia Limaverde Nascimento

Transformações necessárias em Educação

Ao longo de todos os textos que publicamos nesse blog, chegamos à essência da “revolução em educação”, que pode ser resumida da seguinte maneira:
  • Refletir sobre a crise Planetária e a realidade em Educação;
  • Discutir um novo paradigma possível para a educação, o paradigma educacional Eco-sistêmico e Transdisciplinar;
  • Oferecer um repertório variado e numeroso de atividades transdisciplinares para serem aplicadas na realidade das escolas;
  • Lançar sementes e oferecer o maior número de exemplos práticos para uma real mudança na didática dos professores, qualitativamente superior;
  • Valorizar a vida e o ser humano através de propostas conceituais e práticas que possam ser realmente incorporadas pelos professores;
  • Analisar currículo, didática e avaliação sob a luz da Complexidade e da Transdisciplinaridade.

Você, professor(a), é um agente de transformação nesse contexto histórico que estamos atravessando. Propomos a você que utilize os textos desse blog, disseminando novas ideias de educação!!!

Um grande abraço e conte conosco!!!

Profa. Patricia Limaverde Nascimento

Atividades Transdisciplinares de Atuação Social

A condição humana deveria ser o objeto essencial de todo o ensino. [Os seres humanos] devem reconhecer-se em sua humanidade comum e ao mesmo tempo reconhecer a diversidade cultural inerente a tudo o que é humano.

Edgar Morin

Continuando nossa conversa, a partir do texto “Atuação Social e Transdisciplinaridade”, cito abaixo duas grande dicas de como trabalhar com Atuação Social na Escola:

-       trabalhos em grupos

-       trabalhos com projetos desenvolvidos pelos alunos e professores

1-    Trabalho em grupos:

O trabalho em grupos de alunos favorece o aprendizado significativo por permitir a discussão, a vivência e a experimentação de diferentes conteúdos. Além disso, os diferentes modos de expressão existentes em um mesmo grupo, proporciona uma amplitude maior de possibilidades de aprendizagem.

O Trabalho permanente em Grupos busca facilitar o desenvolvimento de habilidades como:

-       Conviver na diversidade

  • Em um mesmo grupo de alunos, cada um possui um ritmo próprio de aprendizagem, uma maneira própria de organizar informações, além de outras particularidades. Além disso, um grupo de alunos pode conter alunos de diferentes classes sociais e necessidades especiais.

-       Expressão

  • Para fazer-se entender, os alunos, em grupo, desenvolvem habilidades de expressão oral, apelam para sinônimos de palavras, ou reconfiguram suas frases com a finalidade de ser entendido ou de convencer os outros do grupo. Dão exemplos e tentam ilustrar suas ideias.

-       Ser um sujeito ativo no processo

-       Saber ceder em prol do “bem comum”, quando necessário

-       Aprender a solicitar ajuda. Admitir que precisa do outro

-       Tolerância, compaixão e solidariedade

2-    Trabalho com projetos da Sala de aula

-       Promover Campanhas de Solidariedade em prol de entidades como ongs.

-       Promover mobilização social em prol de causas socioambientais, fazendo cartas e abaixo-assinados e enviando às presidências, governos, prefeituras, ministérios, secretarias estaduais e municipais, etc…

-       Promover passeatas em prol de causas socioambientais

-       Promover campanhas de arborização da comunidade

-       Promover campanhas de limpeza de praças, parques e praças

Essas são apenas algumas ideias que podem mobilizar alunos e professores. Em todos esses projetos podemos incluir conteúdos de diferentes disciplinas, que juntas, proporcionarão um aprendizado realmente significativo por parte do aluno.

Um bom trabalho a todos!

Profa. Patricia Limaverde Nascimento

Atividades transdisciplinares com elementos da Natureza

Caro professor,

As atividades seguintes são realizadas na Escola VILA, no Ceará, com alunos de todas as idades da Educação básica, desde 1 ano até o final do ensino fundamental.

Observe que todas podem ser adaptadas a diferentes espaços. Por exemplo, se você não tem uma horta na sua escola, pode fazer uma horta com seus alunos em uma caixa de plástico ou vasos de plantas dispostos em uma estante.

Laboratório da Fauna

Trabalho desenvolvido em um zoológico com animais domésticos como: frangos, patos, gansos, carneiros, coelhos, jabutis e outros animais.

Nesse laboratório, os alunos da Educação Infantil trabalham atividades de reconhecimento dos animais, diferenciação, classificação primária desses vertebrados, levando em consideração características como número de patas, cobertura corpórea, tipo de reprodução, etc. Ao brincarem com os animais, essas crianças estão construindo noções fundamentais de consciência ecológica bem como passam a conhecer, a respeitar e a valorizar esse contato.

Os alunos do Ensino Fundamental aprofundam seus conhecimentos a respeito da anatomia e fisiologia desses animais, descobrem seus nomes científicos, estudam sobre animais exóticos e nativos, comparam os sistemas do corpo humano aos dos animais em questão, estudam e acompanham a reprodução dos vertebrados, ampliam seus estudos para incluir outros seres vivos do Reino Animalia.

Laboratório de Farmácia Viva

No laboratório de Farmácia Viva trabalha-se diretamente com uma série de ervas medicinais plantadas e mantidas pelos próprios alunos. Estuda-se, da Educação Infantil ao Ensino Fundamental, seus princípios ativos, suas indicações, e modo de utilizar, o preparo de ungüentos, xaropes, chás e cosméticos. Plantam-se e colhem-se ervas medicinais. Os alunos aprendem a preparar remédios caseiros e a valorizar a Medicina Popular. Passam a utilizar chás, pomadas e cremes produzidos por eles mesmos.

Laboratório da Horta

A horta também é mantida pelos próprios alunos. Cada plantio do canteiro é monitorado, desde os estudos preparativos (pesquisas sobre a hortaliça em questão, seus períodos de plantio e colheita, aspectos nutricionais, tipo de solo adequado, etc.) até à utilização dessas hortaliças no preparo de saladas ou outros pratos.

Laboratório de Saúde e Alimentação

Desde à Educação Infantil, os professores trabalham atividades, para a conscientização da importância de nos alimentarmos bem para mantermos uma boa saúde. Na cozinha, os alunos do maternal ao Ensino Fundamental pesquisam receitas, estudam o valor nutritivo dos diferentes tipos de alimentos, elaboram pratos culinários, etc.

Laboratório do Pomar

Plantio de árvores frutíferas diferentes. Os alunos de Educação Infantil e Ensino Fundamental estudam os nomes científicos dessas árvores e suas características particulares, como tipo de folha, de flor, de fruto, etc. Estudam o valor nutritivo de cada fruta, fazem saladas, vitaminas e sucos.

Os Laboratórios de Saúde e Alimentação, Horta e Pomar têm como objetivo principal a conscientização da importância de uma boa alimentação para a manutenção da saúde. Valorizamos o consumo de alimentos orgânicos, livres de agrotóxicos. Os alunos aprendem a plantar e a colher, bem como a preparar sucos, saladas, pratos regionais e naturais.

Laboratório do Jardim

Os alunos da Educação Infantil ao Ensino Fundamental mantêm o Jardim da Escola, estudam os modos de propagação das plantas ornamentais, percebem a interação de animais como insetos, aves, anelídeos e aracnídeos com as plantas. Os alunos pesquisam os nomes científicos das plantas ornamentais, suas principais características, época de floração, tipo de solo adequado, etc. Aprendem a valorizar o embelezamento do lugar onde vivemos, trabalhamos ou estudamos, através da utilização de plantas ornamentais.

Laboratório de Manutenção

Os objetivos desse laboratório são: proporcionar vivências aos alunos da Educação Infantil ao Ensino Fundamental sobre técnicas de manutenção doméstica (como limpeza e higiene), manutenção de pequenas instalações hidráulicas e elétricas, pintura em paredes, noções de carpintaria, concertos de roupas, etc.

Laboratório de Tecnologia Alternativa

O objetivo central desse laboratório é pesquisar e aplicar modos de economia de recursos naturais. Trabalhando a reciclagem de lixo fazendo papel reciclado, compostagem, sistemas de irrigação com garrafas plásticas, jogos pedagógicos de sucata. Elaboração e execução de projetos de captação de energia solar, como sistemas de aquecimento de água e forno solar. Tudo isso também, envolvendo os conteúdos curriculares dos alunos de Educação Infantil ao Ensino Fundamental.

FONTE: Educação Bio-sustentável, Eco-sistêmica e Transdisciplinar: Uma prática da Escola VILA. Patricia Limaverde Nascimento.

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