Corpo e Transdisciplinaridade

Corpo e Transdisciplinaridade

Olá Professor!

Nesta edição vamos conversar sobre o Corpo e como podemos trabalhar atividades corporais, de forma transdisciplinar, interligando conteúdos de diferentes disciplinas.

Você já parou para pensar que o estudo do nosso corpo não pertence a nenhuma disciplina específica?

Veja alguns exemplos de abordagens disciplinares do estudo do corpo humano:

  • as ciências estudam os aspectos biológicos, fisiológicos;
  • a matemática e a física estudam a estrutura do corpo, seus movimentos, a mecânica corporal;
  • a linguagem e a psicologia estudam os gestos, as posturas, a comunicação que o corpo exprime;
  • a geografia, a história, estudam as relações que as pessoas produzem através de seus corpos, estudam os caracteres étnicos expressos pela indumentária que os corpos vestem e que são específicos de cada comunidade do planeta;
  • a filosofia estuda as relações entre corpo, mente e emoções, entre corpo e espírito;
  • as neurociências estudam os processos internos do corpo humano e suas inter-relações com o sistema nervoso;
  • a medicina estuda a anatomia, as diferentes enfermidades do corpo e suas possíveis curas;
  • a educação física estuda as diferentes modalidades de esportes que o corpo humano pode perfazer; …

O estudo do Corpo Humano não pertence a nenhuma disciplina específica! Ele transpassa as barreiras disciplinares. Jamais poderá ser completamente estudado por uma única disciplina.

Tanto o corpo quanto o próprio ser humano são transdisciplinares.

O corpo humano é o que nos possibilita a existência. Através dele podemos interagir com outros seres humanos, com a natureza, ou seja, com o mundo ao redor.

É através do corpo que podemos aprender algo. Através dos nossos sentidos apreendemos o mundo. Internamente processamos as informações apreendidas e as organizamos produzindo o que chamamos “conhecimento”.

A partir do nosso corpo temos acesso ao mundo. Por isso, cientistas como Maturana, Varela e Damásio, nos dizem que aprender é ser no mundo. É existir e interagir. E fazemos tudo isso através do nosso corpo.

Corpo e educação

Trabalhar com o corpo em educação não é somente fazer exercícios corporais nas aulas de educação física.

Precisamos compreender como o trabalho de corpo se insere na aprendizagem como um todo. Sim, podemos aprender matemática através de exercícios motores!!! Assim como podemos aprender todos os conteúdos, de todas as disciplinas através do corpo. Isso se dá pelo simples motivo de que SEMPRE APRENDEMOS ATRAVÉS DO CORPO!!!

Precisamos somente, como educadores, nos empoderarmos de metodologias capazes de promover uma aprendizagem cada vez mais corporificada por parte dos nossos alunos.

Com certeza, se partimos do princípio de que aprendemos com todo o corpo e não somente através dos sentidos da visão e da audição, que são os únicos sentidos valorizados na educação tradicional, poderemos assim criar novas e diferentes atividades que possibilitem o aprendizado de uma forma mais ampla e integradora, transdisciplinar.

De algum modo, podemos notar através das observações de Piaget, que a aprendizagem do ser humano é totalmente dependente de interações sensórias, motoras, concretas, evoluindo somente mais tarde para algum tipo de operação mais abstrata. Ou seja, para que possamos aprender, o corpo necessita apreender o mundo.

O corpo integra experiências sensoriais, motoras, mentais, emocionais. Tudo acontece no corpo.

Todas as representações que temos do mundo, foram construídas pelos nossos sentidos, pelas nossas experiências. E o veículo condutor de todas as nossas experiências no mundo é o corpo.

Onde se localiza a mente? E as emoções? No corpo. Nossa mente está distribuída pelo nosso corpo. E nossas emoções também. Somos nosso próprio corpo, pensamos através dele e sentimos também.

Os nosso pensamentos são decorrentes de interrelações entre diferentes áreas do nosso cérebro que foram ativadas a partir de impressões sensoriais que o corpo apreendeu.

Por exemplo, lanço a seguinte pergunta: Se uma pessoa que nunca viu nem provou um pudim estudar a sua receita, decorando cada ingrediente e cada passo do modo de fazer, essa pessoa poderá dizer que sabe o que é um pudim???

No máximo ela saberá a receita do pudim, porém não saberá o que é um pudim. Se seu corpo não experienciou nenhuma vivência com ele, nunca viu, sentiu o gosto, o cheiro, a textura do pudim, essa pessoa não saberá o que é um pudim.

O nosso corpo é essencial na aprendizagem. E o que fazemos?

O que fazemos na escola tradicional? Ensinamos receitas. E nunca experimentamos o pudim, ou propomos, juntos, fazermos um pudim.

De forma mais concreta:

  • Ensinamos aos alunos a realizarem algoritmos das operações numéricas sem uma vivência significativa de aplicação das mesmas. Eles decoram os algoritmos mas não sabem para que servem. Um aluno só vai realmente aprender as operações quando souber aplicá-las no dia-a-dia.
  • Ensinamos aos alunos conteúdos sobre o corpo humano. Mas esses conteúdos estão escritos em livros. Os alunos decoram cada órgão dos diferentes sistemas do corpo, suas funções e localização, mas não percebem que eles próprios são seus corpos. Não param para sentir os órgãos internos, ossos, músculos, coração, estômago, pulmões, intestinos. Cada aluno possui seu próprio corpo, mas poucos professores exploram o aprendizado sobre o corpo humano a partir de vivências corporais com seus alunos.
  • Ensinamos aos alunos conteúdos de geografia, que também estão nos livros. Os alunos decoram conceitos sobre comunidades, bairros, cidades, estados, mas não vivenciam esses conhecimentos. Não vivenciam os diferentes “mundos” que compartilham o mesmo lugar. Não vivenciam o tamanho que é um bairro, que cada bairro tem sua dimensão, que a cidade é muito grande. Nunca percorreram bairros que estão fora do seu trajeto rotineiro. Nunca foram até os limites de sua cidade.
  • Ensinamos aos alunos os conteúdos de história, impressos nos livros. Mas poucos professores de história perceberam a grande importância da vivência teatral para a incorporação desses conteúdos por parte dos alunos. Na vivencia teatral, o aluno poderá sentir de forma mais próxima, os sentimentos e sensações dos personagens históricos, seus contextos e necessidades. Poderão tentar entender melhor os acontecimentos históricos, seus motivos e consequências.
  • Ensinamos aos alunos conteúdos de linguagem antes de eles vivenciarem a necessidade de se saber tais conteúdos. Os alunos decoram as regras gramaticas e logo as esquecem, pois não fazem sentido em suas vivências, não foram incorporados.

Então, o que propomos??? Temos que abolir os livros didáticos e apenas investir em vivencias???

Os livros didáticos são um bom complemento para formalização dos conteúdos. Porém, como a Transdisciplinaridade propõe, todos os conteúdos devem partir de contextos, vivências necessidades reais de conhecimento.

E a didática mais adequada a esse propósito é o Trabalho com Projetos na Sala de aula!!! Para se aprofundar mais sobre esse tema, leia a sessão “Introdução ao trabalho pedagógico Transdisciplinar utilizando projetos”, do artigo “Arte e Transdisciplinariade”.

Como ponto de partida, incluímos algumas sugestões de trabalho com projetos na sala de aula com a temática “Aprendendo com o corpo – Atividades transdisciplinares com conteúdos de diferentes disciplinas”, na sessão “Atividades Transdisciplinares”.

Um grande abraço e espero você na próxima edição do nosso blog!!!

Profa. Patricia Limaverde

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