Rio+20 e economia Solidária na Escola – uma proposta Transdisciplinar

Olá professor! Como vai?

Você tem acompanhado os acontecimentos da Rio+20?

Era de se esperar que as discursões fundamentais esbarrassem no limite relacionado ao nosso modelo de economia atual. Desde 1972, com a Conferência de Estocolmo, o primeiro evento mundial proposto com o intuito de refletirmos e tomarmos atitudes necessárias a uma relação mais saudável entre o ser humano e o meio ambiente, esse problema emerge.

As grandes atitudes, capazes de promover uma real transformação socioambiental, necessitam sobretudo de um novo modelo de economia.

Já em 1972, na Conferência de Estocolmo, cientistas, políticos, empresários e ecologistas já discutiam esse impasse. Se os problemas socioambientais estavam ligados ao crescimento econômico, as opiniões relacionadas à solução desse problema, de uma forma geral, foram resumidas em duas:

–       a ideia do não-desenvolvimento, ou seja, parar o desenvolvimento econômico da forma como ele estava na época, visando a conservação dos recursos naturais;

–       ou buscar o desenvolvimento econômico mais sustentável, mas permanecendo no mesmo paradigma econômico.

É claro que o Brasil, na época, tomou logo partido e defendeu a ideia de que parar o crescimento econômico seria impossível e não desejável. O Brasil liderou o grupo de países em desenvolvimento que alegava que “parar o desenvolvimento” seria uma estratégia para manter os países ricos mais ricos e os países pobres sem perspectivas de crescimento.

Nosso país defendeu o “crescimento a todo custo” e decerto, assim o fez, impactando drasticamente o meio ambiente e as pessoas envolvidas com diversas grandes obras como a Transamazônica, por exemplo. Além disso, deu carta branca à industrialização “a todo custo”, sem preocupar-se com a degradação do meio ambiente e com a poluição. Durante a década de 80, por exemplo, carregamos o fardo de termos a cidade mais poluída do mundo, Cubatão, onde foi noticiado em diversos jornais casos de mortes neonatais por anencefalia causada com contaminação.

Desde a Conferência de Estocolmo, passando 20 anos mais adiante, pela Rio92 e indo mais 20 anos até os dias de hoje, a ideia de que é possível que o atual modelo de desenvolvimento econômico adotado mundialmente seja mais sustentável permanece liderando a opinião de muitos, principalmente da tríade “política-economia-mídia”.

É por isso que estudos como o AR4, do IPCC, de 2007, ou tratados como o de Kioto (1998) não alcançam ampla repercussão, pois comprometem o atual modelo de desenvolvimento econômico desde sua raiz.

O atual modelo de desenvolvimento econômico tem como característica principal a busca pelo lucro e, por isso, se apoia necessariamente sobre três pilares:

1-    O Consumismo, e com isso, manipulações durante o processo de produção e na mídia, de forma a garantir um consumo contínuo e cada vez maior de bens. Para incrementar o consumo, existem duas estratégias adotadas no sistema:

  1. Obsolescência planejada: quando os bens de consumo são projetados, desde o processo de produção, para que sejam descartados o mais rapidamente possível. Por exemplo: bens que se quebram ou se danificam facilmente como roupas baratas de “promoção” que numa primeira lavagem já se “desintegram”; canetas ou lápis que ou cair no chão não escrevem mais; aparelhos celulares que param de funcionar de uma hora pra outra, geralmente após o período de garantia; softwares que só “rodam” em determinado sistema operacional, quando este é atualizado, o software não funciona mais; e assim por diante.
  2. Obsolescência perceptiva: quando as pessoas deixam de utilizar o bem que adquiriram porque estão “fora de moda” ou ultrapassados. Nesse caso a mídia contribui bastante, sempre lançando uma nova moda.

2-    A Degradação Ambiental: para se manter o consumismo se faz necessária a obtenção de matéria prima barata, ou seja, na atual estrutura de modelo de desenvolvimento econômico, a degradação ambiental é como uma condição essencial.

3-    A Exploração Humana: para se extrair matéria prima barata e também para se processar e industrializar essa matéria prima, se faz necessária a mão-de-obra barata também. Ou seja, a exclusão social também é condição para a manutenção desse modelo de desenvolvimento econômico.

Como podemos mudar essa estrutura-raiz do modelo de desenvolvimento econômico atual?

Vem crescendo desde há algum tempo, a ideia de transformação desse modelo, de uma forma mais radical, interferindo na raiz do problema. Transferindo o foco do desenvolvimento econômico que atualmente é o lucro para que seja o bem estar das pessoas e do meio ambiente. Esse novo modelo está sendo chamado de “Nova Economia”, ou “Economia Solidária” e, na Rio+20 está finalmente, ganhando mais e mais espaço.

Mas, o que a escola tem a ver com economia e como podemos contribuir para uma mudança significativa nesse sentido?

Uma nova consciência, uma nova sociedade, um novo pensamento.

A escola pode exercer seu papel de transformação socioambiental de forma mais consciente, quando promove atividades e vivências para seus alunos, professores envolvendo toda a comunidade.

Há diversas formas de promover a Economia Solidária e a escola é um espaço bastante apropriado para isso. Além disso, projetos com essa temática abordam conteúdos de diferentes disciplinas, interligando ainda conhecimento científico, conhecimento popular, artes e tradições.

Visite nossa sessão multimídia, no artigo “Vídeos sobre Economia Solidária” e veja quais são os fundamentos dessa nova forma de pensar-agir economia, bem como exemplos práticos de aplicações.

Na seção de dicas de atividades, leia o artigo “Atividades Transdisciplinares de Economia Solidária”, onde damos exemplos de possíveis projetos nessa temática.

Na Linkoteca, você vai encontrar o artigo “Links sobre Economia Solidária”, onde indico links úteis sobre o tema.

Espero que possamos realizar um novo modelo de economia, mais humano e voltado para o bem estar. Por isso, comecemos a agir, sobretudo na escola!

Um grande abraço!

Profa. Patricia Limaverde Nascimento

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